segunda-feira, 23 de novembro de 2009

PROSTITUTOS CULTUAIS E MERCADORES DA FÉ

PROSTITUTOS CULTUAIS E MERCADORES DA FÉ


Eu estava tentando encontrar um adjetivo para qualificar os atuais cantores e pregadores que cobram elevadas somas em dinheiro para pregar ou cantar nas igrejas e em conferências promovidas por evangélicos, e achei que “mercador da fé” não é um adjetivo apropriado, porque é simples demais para nominar tais pessoas. Pois bem. Vejo esses exploradores da boa-fé evangélica como prostitutos cultuais – que é a tradução da versão atualizada – para os que se prostituíam junto aos templos pagãos e que depois passaram a se prostituir diante do templo do Senhor em Jerusalém. Porque os prostitutos (as) cultuais mencionados na Bíblia exploravam os que se dirigiam ao templo para adoração oferecendo-lhes um pouco de orgia – orgia sexual revestida de espiritualidade, como alguns desses a que me refiro que falam línguas, profetizam, oram pelos enfermos, são místicos e super espirituais... Mas orgiofantes (como os sacerdotes que prestavam culto a Dionísio).
Os prostitutos e prostitutas cultuais, comuns nos templos pagãos passaram a conviver com os adoradores junto ao templo de Jerusalém, indicativo de uma deformação espiritual da nação de Israel. Não estou afirmando que é comum tais pessoas se prostituirem de verdade, em orgias sexuais; estou afirmando, isto sim, que sempre que uma pessoa se afasta de Deus, comete prostituição com outros deuses – fato mencionado pelo próprio Deus em várias passagens do Antigo Testamento. Em Ezequiel 16 ele compara Israel a uma menina, que é cuidada por Deus, adornada e preparada para ser esposa, mas se prostitui com os povos vizinhos.
Deus se antecipou ao que poderia acontecer e recomendou a Moisés: “Das filhas de Israel não haverá quem se prostitua no serviço do templo, nem dos filhos de Israel haverá quem o faça... Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à Casa do Senhor, teu Deus (Dt 23.17-18).
O que se vê hoje no Brasil é uma orgia espiritual, uma masturbação coletiva praticada por cantores e cantoras, pregadores e pregadoras, que não conseguiram fazer sucesso no mundo e encontraram na igreja um filão de negócio; o caminho para o enriquecimento à custa da espiritualidade dos irmãos.
Imagine o Lázaro da Bíblia, que Jesus ressuscitou dos mortos gravando seu cd e saindo pelo mundo a pregar nas igrejas, usando os recursos para comprar bens e imóveis em Atenas, Roma e Jerusalém. Imagine Dorcas, relatando sua ressurreição e insinuando aos irmãos por onde pregava que precisava de dinheiro para comprar máquinas de costura a fim de ajudar os pobres com maior eficácia, lucrando com a bênção alcançada. Eles seriam excluídos do rol de membros do céu pelos apóstolos. Pois sei que esses excrementos espirituais – e não há palavra melhor para descrever tais pessoas – cobram preços exorbitantes para pregar e cantar. Eu estava numa cidade pregando o evangelho e em várias cidades daquele Estado os irmãos se mobilizavam para ouvir o ex (que deve ter fracassado no mundo) cujo preço varia de 20 a 35 mil reais por apresentação. Este cantor que explora a espiritualidade do povo deve ganhar, pelo menos, com a agenda cheia em torno de cem mil reais por semana! Sim, porque fazem sucessos os ex-, sejam ex de quaisquer espécies. Ex que tocou na famosa banda do mundo; ex- que se prostituía com drogas, mas agora se prostitui com dinheiro. prostituem-se com a fé. Sim, porque quais prostitutos cultuais do AT usam da espiritualidade para fazer orgia com o povo com o fim de levar o povo a se alegrar, enquanto eles ficam ricos.
Uma denominação pentecostal nutriu, alimentou e criou um pregador que cobra o exorbitante preço de quinze mil reais por pregação e nunca tomou uma atitude corretiva e disciplinar quanto a seu enriquecimento e vida pessoal; ao contrário, alimenta o sucesso desse mercador de dons. Balaão se sentiria envergonhado!
Assim, quando viajo pelo Brasil sinto no ar o odor fétido que eles deixam por onde passam; o odor da prostituição espiritual, o cheiro nauseabundo que costumam exalar os espiritualmente mortos. Que se prostituem espiritualmente e que levem pastores, líderes e povo à prostituição com eles é inegável, e não é de se duvidar de que se prostituam literalmente em seus confortáveis quartos de hotel. Pregadores e cantores que fazem exigências incomuns; que não aceitam fazer uma refeição na casa de irmãos; apenas em restaurantes que servem a La Carte. Que não se contentam com os bons hotéis e se não houver os melhores, recusam-se participar de eventos a menos que suas exigências sejam atendidas.
Os culpados são os líderes que atraídos pela ganância financeira esperam obter lucros com os gananciosos. Certamente porque muitos pastores, apóstolos e líderes se prostituíram espiritualmente, empolgados com as riquezas deste mundo, sonhando com mansões no litoral brasileiro e nas famosas cidades dos Estados Unidos.
Que posso dizer? Afirmar que alguns desses pastores que apóiam tais cantores e pregadores, juntamente com estes sejam descendentes de Balaão – que se prostituiu e usou de seus dons para ensinar Balaque a armar ciladas para os filhos de Israel – seria ofender o profeta do Antigo Testamento, que por seu pecado foi morto por Josué. Quem sabe possuem o DNA de Judas, ou são da mesma linhagem espiritual que vendem o nosso Senhor em troca das benesses de Mamom. Pedro e Judas descreveram tais cantores, pregadores e pastores com adjetivos pouco recomendáveis, afirmando que estes“andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores... Considerando como prazer a sua luxúria carnal em pleno dia, quais nódoas e deformidades, eles se regalam nas suas próprias mistificações, enquanto banqueteiam junto convosco; tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecado, engodando almas inconstantes, tendo coração exercitado na avareza, filhos malditos; abandonando o reto caminho, se extraviaram, seguindo pelo caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça... Esses tais são como fonte sem água, como névoas impelidas por temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas”
Por mistificações o apóstolo está se referindo aos que usam dos dons espirituais para se sobrepor aos demais; eles têm dons, são místicos e falam como se uma nuvem de transcendência divina repousasse sobre eles.
Faz-se necessária uma limpeza na igreja, a casa de Deus, como fizeram Asa e Josafá. Asa tirou de cena sua própria mãe e “removeu os prostitutos cultuais” que usavam o templo como local de prostituição. Josafá ainda precisou intensificar a reforma, porque, de tempos em tempos os aproveitadores da boa vontade do povo; os exploradores da espiritualidade das pessoas, tais como eram os filhos de Eli aparecem na igreja de Deus (1 Rs 15.12; 22.47).
Uma igreja rameira serve de alcova para os exploradores da espiritualidade do povo. E Deus haverá de limpar sua igreja.

Pr. João Antonio de Souza Filho

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Perdão - dom de Deus

“-Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.” Esta foi uma das últimas frases proferidas por Jesus Cristo na cruz. Vítima de um julgamento e de uma condenação injusta, de falsas acusações, do ódio e da maldade humana, Jesus ora ao Pai rogando-lhe perdão aos seus inimigos. Nessa oração de Jesus, bem como em seus ensinamentos e vida, aprendemos a respeito da importância do perdão como único meio de graça capaz de promover vida para com Deus, para com o próximo e para consigo mesmo.

1. O perdão nos faz vivos para Deus -Somos seres adoecidos pelo pecado, cuja força nos empurra para longe de sua presença. Por essa causa, fugimos de Deus. Conseqüência: tornamos-nos vazios, alienados, frios, infelizes, impotentes e escravos dos nossos próprios desejos egoístas e destrutivos. A boa nova do evangelho proclama que na morte de Cristo na cruz do Calvário foi inaugurado um novo tempo de paz. O perdão é a porta para essa nova realidade. Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, o Filho do Homem foi levantado na cruz para que todo aquele que nele crer tenha vida. Nas palavras de Paulo, apóstolo, “ nele temos a redenção por meio do seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com a riqueza da sua graça.’ ( Efésios 1:7). Porque Deus nos perdoou em Cristo, agora podemos nos aproximar de sua Presença com ousadia e confiança.

2. O perdão nos faz vivos para o próximo – Todo aquele que já foi perdoado por Deus recebe graça para perdoar o próximo. Na oração do "Pai Nosso" aprendemos que o perdão que recebemos de Deus acontece na mesma disposição que temos em perdoar nossos ofensores. ( perdoa as nossas dívidas assim como temos perdoado a nossos devedores). Deus nos reconciliou e nos fez ministros da reconciliação. Não perdoar o próximo é mata-lo em nosso coração. Perdoá-lo é oferecê-lo o direito de viver em paz.

Na cruz aprendemos de Cristo como perdoar- “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”- É preciso que reconheçamos que o outro/ofensor é mais uma vítima do pecado, da ignorância. Nosso ofensor deve ser digno da nossa misericórdia, da nossa paciência, da nossa compaixão. Esse é o sentimento que habita todo aquele que deseja ser tratado por Deus com misericórdia, paciência e compaixão.

3. O perdão nos faz vivos para nós mesmos - Nenhum de nós está totalmente livre dos ressentimentos, rancores e mágoas. Há muitos que carregam feridas abertas no coração por terem sido vítimas da incompreensão, do abuso, da traição ou violência de alguém. Esses sentimentos se instalam na alma e rouba-nos a alegria de viver. Pior, ofusca nossa percepção da Presença do Deus de Perdão.

Pessoas que não conseguem perdoar acabam se tornando escravas de sentimentos escuros. A falta de perdão carrega uma força maligna. Em 2Coríntios 2:10 lemos assim: "E a quem perdoardes alguma coisa também eu; porque o que eu também perdoei, se é que tenho perdoado, por amor de vós o fiz na presença de Cristo; para que não sejamos vencidos por Satanás" ou "para que Satanás não leve vantagem sobre nós." Ou seja, corações carregados de mágoas, ressentimentos ou ódio tornam-se um campo fértil paras as sementes do maligno; adoecem na alma, no corpo e no coração.

Quem perdoa está fazendo um bem a si mesmo. Deus se faz presente na vida de todo aquele que carrega um coração disposto a perdoar sempre!

O Perdão é a manifestação da graça de Deus para a solução dos problemas da humanidade. Ouso dizer que o perdão é a mais extraordinária força que podemos experimentar. Jesus ensinou e praticou o perdão. O perdão é dom de Deus.
Julio Marçal

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Igreja de Cristo - 10 anos


“Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom e a sua misericórdia dura para sempre.” Salmo 118: 29


Há dez anos nascia a Igreja de Cristo em Frecheirinha - gente que, atraída pela Proclamação das Boas Notícias do Reino de Deus, deixou-se vazar pelo desafio de ser discípulo de Jesus Cristo, com a consciência de suas limitações e a esperança no poder do Espírito Santo.
O que dizer desses dez anos? Certamente muitas foram as vitórias, vidas restauradas, relacionamentos curados, vínculos fortalecidos, amadurecimento, companheirismo... Dificuldades? Inúmeras. Sofrimento, choro e angústias teceram parte considerável de nossa trajetória. Mas como nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam, louvamos ao Nosso Pai Celeste por sua doce presença em meio a tantas lutas e por sua imensa graça que renova nossas esperanças.
Hoje nos reunimos para celebrar ao nosso Grande Deus - até aqui nos ajudou o Senhor! Hoje é dia de celebração, dia de festa, de risos, abraços e de euforia...


Reunimo-nos também para reafirmar compromissos. Compromisso com o Evangelho do Reino de Deus e da inegociável liberdade que temos em Cristo - Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. Gálatas 5: 1
Reafirmamos nosso desejo de ser uma igreja alegre e que não se submeta aos engessamentos da religiosidade fria, legalista e carrancuda. Certo estamos que alguns “em vão O adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Mateus 15:9
Reafirmamos nosso desejo ser uma igreja acolhedora, inclusiva. Uma expressão visível do amor do Pai que nos ensina ‘- ide, porém, e aprendei o que significa misericórdia quero”. Mateus 9: 3
Reafirmamos nosso desejo de ser Igreja de Cristo.
Em Cristo, Júlio Marçal, pastor.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

OS MILAGRES CONTRA O AMOR

O que diferencia as coisas de Deus das coisas dos deuses entre os homens, não são milagres, nem poderes, nem demonstrações, nem sinais, nem prodígios, nem coisas extraordinárias, posto que todas essas coisas sempre tenham se manifestado entre todos os povos da terra.
Línguas estranhas, profecias, sonhos e visões, curas, sinais prodigiosos, etc... — estão presentes em todos os registros de quase todos os povos primitivos.
Portanto, o que diferencia as coisas de Deus das coisas dos deuses não são fenômenos, mas um único fenômeno: o amor...
Não é o nome de um deus ou de “Deus” é o que faz a diferença, mas exclusivamente o amor...
Onde o diferencial é amor, não importa a cultura, o ambiente religioso, a ignorância, whatever...
Se há amor, aí há Deus...
Se não há amor, pode haver o nome de Deus, as doutrinas de “Deus”, culto a Deus, tudo a Deus — mas não haverá Deus aí...
Milagres sem Deus são comuns...
O incomum é o milagre de Deus...
O sobrenatural não é a marca de Deus...
A marca de Deus é o amor...
O mundo está cheio de milagres e de sobrenatural..., mas vazio de Deus!
Jesus fez muitos milagres, mais milagres do que qualquer outro ser humano...
No entanto, a leitura do Evangelho nos mostra que Jesus faz milagres como um gesto de amor pela fraqueza e pela dor humana, mas não como um recurso da revelação de Deus...
Ao contrário, Jesus denuncia a relação adoecida das multidões com os Seus próprios milagres; e diz: “Não foi por mim e nem pela Palavra que vocês voltaram, mas porque vocês comeram pão de graça”...
Jesus fez e aconteceu... até que “os judeus” começaram a “pedir sinais”...
Então Ele foi diminuindo...
A esta geração não será dado outro sinal senão o do profeta Jonas! — disse Jesus nessa hora.
Milagres do amor curam e não adoecem a alma...
Mas os milagres dos fenômenos, esses matam o espírito...; pois criam fé no milagre e não em Deus, e dão ao que busca o milagre a sensação errada de que o milagre valida a experiência da pessoa com Deus; e não é o caso...
Por isto é que no Evangelho o único milagre a ser sempre celebrado é o da conversão, é o do arrependimento, é o da novidade de vida, é o novo nascimento!...
Ora, esse milagre que o Evangelho busca e celebra, só acontece mediante o amor; pois, sem amor, todo milagre é apenas manifestação de um fenômeno...
“Ainda que tudo...” — sem amor nada aproveitará.
O problema é que os crentes, à semelhança dos judeus dos dias de Jesus, buscam sinais, mas não querem a Palavra!
Assim, buscando sinais não crêem no amor e na fé como sinais que superam todos os demais...
Ao final, o que acontece é que um milagreiro lê este meu texto e ri de mim, desse coitado, desse romântico, desse otário, desse bobo que fica aí falando de amor...
Eu, todavia, creio tanto nisto quanto em tudo o mais..., mas quero apenas ser discípulo dos milagres do amor de Deus, e não tenho desejo por nenhum poder que não nasça exclusivamente do amor.

Nele, de Quem aprendi que se não for assim [...] de Deus não é,

Caio Fabio